Turismo sustentável: como viajar de forma responsável nos Lençóis Maranhenses

Vista aérea dos Lençóis Maranhenses mostrando o contraste entre a vegetação nativa densa e as dunas com lagoas, com o selo do Patrimônio Mundial da UNESCO.

As dunas dos Lençóis se movem alguns metros por ano, empurradas pelo mesmo vento que traz os kitesurfistas. As lagoas nascem com as chuvas do primeiro semestre e recuam no fim do ano, levando embora peixes cujo retorno anual ainda intriga os pesquisadores. Nada aqui é permanente, e talvez seja essa a primeira lição que o lugar oferece a quem chega.

Turismo sustentável em Atins não é um selo pendurado atrás do balcão da recepção. É uma soma de decisões pequenas, tomadas todos os dias, por quem mora aqui e por quem vem visitar. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses tem 155 mil hectares e uma capacidade de carga que ninguém deveria testar.

Este texto reúne o que o Grupo Charme Atins faz, o que a legislação exige e o que cabe ao viajante, porque as três coisas só funcionam juntas.

Turista interagindo e entregando um papel a um atendente local em um estabelecimento nos Lençóis Maranhenses.

O que a Unesco reconheceu em 2024

Em julho de 2024, os Lençóis Maranhenses entraram na lista de Patrimônio Natural da Humanidade. O reconhecimento não celebra apenas a beleza da paisagem, celebra um sistema raro: um campo de dunas costeiro que se enche de cerca de 66 mil lagoas de água doce, numa zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia.

Um título assim traz visibilidade, e visibilidade traz gente. Essa é a parte delicada da história. As lagoas são ecossistemas fechados e sazonais, sem correnteza que dilua nada do que entra nelas. As dunas se refazem pelo vento, mas a vegetação da restinga que as segura leva anos para voltar quando é pisada. A paisagem parece resistente de longe e é frágil de perto.

Projeto Vidrado

Estar na porta de entrada dos Lençóis Maranhenses, é um privilégio que vem acompanhado de um compromisso. É desse princípio que nasce a nossa parceria com a Heineken e a startup SOLOS no Vidrado, a iniciativa que garante o descarte correto do vidro no povoado. O projeto começou em Caraíva, em 2020, e chega a Atins depois de cinco anos transformando a relação de um paraíso com aquilo que consome. Só para se ter ideia do caminho: foram 154 toneladas de vidro recolhidas, que voltaram ao mundo como 810 mil novas garrafas. O vidro é infinitamente reciclável. Cada descarte correto poupa energia, água e matéria-prima, e mantê-lo em circulação é uma das formas mais bonitas de honrar a paisagem que nos recebe.

Em Atins, isso acontece pé na areia, no ritmo do lugar. Pontos de coleta espalhados pelo vilarejo, um veículo dedicado que percorre as vias de areia, uma central de triagem e um time local que faz o vidro chegar até a reciclagem sem desvios. Priorizamos fornecedores da região e capacitamos equipes da própria Atins, porque hospitalidade de verdade também é aquela que gera pertencimento.

Aqui, todo mundo é vidrado no descarte correto. Cada garrafa tem um destino. Nós cuidamos do caminho.em parece resistente de longe e é frágil de perto.

Como se comporta quem entende o parque

O trânsito dentro do parque é restrito a operadores credenciados pelo ICMBio, com frota e guias autorizados. Não se trata de burocracia: é o mecanismo que controla quantos veículos entram, por onde passam e em que horários. Os circuitos privativos, de uma a seis pessoas, existem também por isso, para reduzir o número de carros circulando sobre a areia.

Nas lagoas

Evite entrar na água com protetor solar ou repelente recém-aplicados. A água é parada e não dilui nada. Aplique bem antes da chegada ou prefira a proteção física de camiseta e chapéu.

Nas dunas

Caminhe apenas pelo trajeto indicado pelo guia e mantenha distância da vegetação de restinga. Tudo o que entra volta com você, inclusive resíduo orgânico. Areia e conchas ficam onde estão.

Na vila

Velocidade baixa nas ruas de areia, onde circulam crianças, cavalos e pedestres. Silêncio depois das dez da noite. E sempre pedir permissão antes de fotografar moradores.

Nenhuma dessas regras estraga a viagem. Todas elas, somadas ao longo de uma temporada inteira de visitantes, decidem em que estado o parque chega ao ano seguinte.

Ponto de coleta e reciclagem de vidro com placas do projeto sustentável em Atins.

O turismo que Atins comporta

Existe uma versão possível de Atins com hotelaria de rede, ruas asfaltadas e ônibus de excursão descendo até a praia. Ela seria mais lucrativa no curto prazo e destruiria exatamente aquilo que faz alguém atravessar o país para chegar até aqui.

O Grupo Charme Atins existe para provar que a outra versão é viável: conforto de alto padrão numa vila de ruas de areia, com equipe local, fornecedores locais e escala pequena. Sofisticação, aqui, é a disciplina de não construir demais. Para conhecer nossos compromissos em detalhe, visite a página de sustentabilidade ou saiba mais sobre o Grupo Charme Atins.

Planeje uma viagem de baixo impacto

Nosso Concierge Charme organiza roteiros com operadores credenciados, na escala e no mês que o parque comporta melhor.

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